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 DESODORANTE IMPORTADO por Nal Nunes

timthumbBUTECO DE FEIRA

Pedro de Aiá, irmão do bem sucedido monteirense João de Aiá, era o que poderíamos chamar de matuto na forma mais autêntica do cariri. Pessoa muito boa, de atitudes engraçadas, porém de temperamento fortíssimo. Pedro morava no Sítio Olho D’Água do Salão, no município de Monteiro, de onde todos os domingos partia com destino a Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores. Era uma sagrada obrigação de Pedro selar seu jegue de passeio e seguir para assistir a missa dominical de Monteiro.

Antes, porém, Pedro que não tinha água encanada em sua casa, estacionava o jegue na casa do irmão João de Aiá, prá tomar um banho, tomar café e depois, já forrado, ir a sua missa.

Dona Lindalva Tomé, esposa de João, é o que podemos chamar de dona de casa zelosa e econômica. Com o intuito de economizar, pegava o frasco de pinho sol e colocava de “ração” num recipiente de desodorante mistral e deixava sempre no banheiro a disposição do usuário. Ela sempre justificava: “ O frasco de pinho sol é grande e tem a boca grande, aí o povo gasta mais”.

Pedro ao terminar seu banho, não teve dúvida, deu de garra do “desodorante mistral” e sapecou com gosto no suvaco, no pescoço e ainda botou uma naigadinha na camisa e no cabelo. Saiu do banheiro todo cheiroso e satisfeito fez o seguinte comentário:

-Eita cumadre Dalva! Perfume cheiroso da gota, isso deve ser João que traz importado lá das bandas de Goiás…, mais é bom!

-Havia Pedro! Toma logo teu café e vai embora que a missa tá já começando. Sentenciou Lindalva Tomé que não tem as ouça lá essas coisas, e fez conta da conta da conversa do cunhado.

Chegando na Igreja, Pedro chamou atenção de todos os olhares por onde passava. Ou melhor, de tudo quanto era nariz. Dezenas de pergunta eram feitas em tom de ironia e risadas, até o padre deu sua pitada.

-Ô Pedro, que perfume danado é esse homem?

-Ah seu padre, isso é meu irmão, João de Aiá,  que traz lá das bandas do Goiás, mais é bom né?

Pedro de Aiá usou o tal perfume importado até morrer. Ninguém ousava contar a verdade temendo que ele se afastasse da casa.

VERSO DO DIA

Mote dado por Pedro Nunes  – (Sinto o cheiro da flor do marmeleiro/ Entranhado no couro do gibão)

Da essência da madeira sinto o cheiro

Catingueira, aroeira, mororó

Na roupagem matutina do Mocó

Meu cavalo farejava um boi ligeiro

Um cachorro que chamava-se perdigueiro

Ladeava o meu cavalo alazão

Deflorando as entranhas do sertão

Com carinhos da caatinga e do facheiro

SINTO O CHEIRO DA FLOR DO MARMELEIRO
ENTRANHADO NO COURO DO GIBÃO

Versos( Nal Nunes)

OPIPOCO

 

O Pipoco

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