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Sem Obama, EUA e Arábia Saudita vivem lua de mel

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O presidente americano, Donald Trump, foi recebido com pompa e circunstância na capital saudita, Riad, no dia 20 de maio. Fotos de Trump ao lado de imagens do rei Salman bin Abdulaziz Al Saud decoravam a cidade, que abrigou 50 líderes muçulmanos para dar as boas vindas ao novo mandatário americano.

A mensagem era clara: que alívio, o presidente Barack Obama foi embora.

Jonathan Ernst – 21.mai.2017/Reuters
O presidente dos EUA, Donald Trump, é recebido pelo rei saudita, Salman, em Riad em 21 de maio
O presidente dos EUA, Donald Trump, é recebido pelo rei saudita, Salman, em Riad em 21 de maio

Os líderes sauditas tinham ojeriza ao ex-presidente democrata, que viam como um líder americano fraco que se aproximou do Irã, nêmesis da Arábia Saudita, ao negociar um acordo nuclear com o país. Riad também se ressentia da relutância de Obama em intervir na guerra da Síria, onde o ditador Bashar al-Assad é apoiado por Teerã.

Para completar, Obama bloqueou a venda de mísseis para os sauditas no ano passado, argumentando que as armas poderiam ser usadas contra civis na guerra travada no Iêmen.

Os sauditas (ao lado do Qatar, é bom dizer) apoiam o governo iemenita que luta contra os rebeldes houthis, patrocinados pelo Irã. Mais de 10 mil civis já morreram no conflito, muitos em bombardeios sauditas.

INTERESSES CRUZADOS
O que está em jogo na crise com o Qatar

Editoria de Arte/Folhapress
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ARÁBIA SAUDITA
> Acusa o Qatar de apoiar o terrorismo através de vínculos secretos com o Irã, maior rival dos sauditas, que tentam isolar Teerã
> Cerca de 90% da população saudita segue o ramo sunita do islã, ao contrário dos iranianos, majoritariamente xiitas

QATAR
> São aliados da Arábia Saudita na guerra da Síria, contra Bashar al-Assad, e no Iêmen, contra a milícia houthi (xiita)
> Na Líbia, porém, estão em lados opostos: Doha apoia o governo reconhecido pela ONU, enquanto Riad defende o general Heftar, não reconhecido internacionalmente

EUA
> Aliado do Qatar, mantém no país sua maior base aérea no Oriente Médio, usada nos bombardeios contra o Estado Islâmico na Síria e no Iraque
> Nesta terça (6), Trump insinuou que a ação diplomática foi resultado de sua visita à Arábia Saudita em maio, quando pediu a líderes que cortem o apoio a terroristas

Após tomar posse, em janeiro, Trump disse logo a que veio: autorizou a venda dos mísseis aos sauditas.

Continuou criticando duramente o acordo nuclear com o Irã e, em Riad, fechou uma venda de US$ 109 bilhões em armas para os aliados sauditas.

Enquanto no giro pela Europa o americano constrangeu os parceiros da Otan, a aliança militar ocidental, e literalmente empurrou o primeiro-ministro de Montenegro para sair bem na foto, na Arábia Saudita ele foi só gentilezas. Não mencionou em nenhum momento as violações a direitos humanos cometidas pelos sauditas, questões sempre levantadas por outros líderes.

Disse apenas que apoiava uma espécie de Otan de países de maioria muçulmana para combater o terrorismo e enfrentar o Irã.

Quando o Qatar discordou publicamente, pedindo moderação em relação ao Irã (em declarações depois desmentidas pelo governo, que as chamou de “fake news”, notícias falsas), o troco saudita veio célere.

Para analistas, o empenho de Trump na relação com Riad foi o empurrão que os sauditas precisavam para isolar o Qatar, visto como vizinho rebelde.

Quando Trump manifestou apoio ao isolamento, nesta terça (6), os laços com os sauditas se fortaleceram ainda mais.

Riad evoca o combate ao terrorismo para romper com Dubai. Mas sabe-se que a Arábia Saudita financiava extremistas islâmicos na Síria do mesmo jeito que o Qatar. Também é notório que a vertente ultraconservadora do islã promovida por Riad, o wahabismo, inspira organizações terroristas.

O real motivo do rompimento é muito mais ligado a dinheiro e poder.

O Qatar compartilha com o Irã o maior reservatório de gás do mundo e mantém relações cordiais com Teerã apesar das pressões sauditas. O país ainda apoia a Irmandade Muçulmana, que liderou revoltas populares e dissidências em vários países após a Primavera Árabe (2011) e é vista como ameaça às ditaduras do golfo.

O Pipoco

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