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Defesa antimíssil dos EUA e aliados tem eficácia duvidosa

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Com mais um teste de míssil norte-coreano assombrando o noticiário, uma das questões centrais nas hipóteses de um conflito com a ditadura de Kim Jong-un volta à tona: a capacidade de defesa dos EUA e de seus aliados no leste asiático contra os foguetes à disposição de Pyongyang.

A resposta é: variável. Há uma gama de interceptadores espalhada pelo teatro de operações em torno da península coreana, mas a eficácia deles depende do tipo de ataque a ser realizado.

FASES DE VOO

Um míssil balístico possui três fases de voo. Na decolagem, mais lenta do que as etapas finais do voo, teoricamente é um alvo mais fácil.

A fase intermediária (ou de meio curso), quando o míssil percorre a parábola até seu destino, pode ser mais facilmente interceptada se for um foguete de médio alcance.

Os modelos intercontinentais vão literalmente ao espaço, sendo bem mais complexo atingi-los.

Já a etapa terminal é quando a ogiva com o explosivo acelera rumo ao solo. No caso de projéteis intercontinentais, ela reentra na atmosfera a velocidades infernais (algo como 25 mil km/h), dificultando sua interceptação.

A Coreia do Sul está equipada com dois tipos de defesa. Baterias americanas Patriot, das quais dispõe de 48, podem tentar derrubar mísseis em altitudes de até 40 km. Têm eficácia provada em diversos conflitos contra armas táticas (até 300 km de alcance) e de curto alcance (300 km a 1.000 km).

Para mísseis de médio alcance (1.000 km a 3.500 km) e intermediários (3.500 km a 5.500 km), Seul tem uma bateria operada pelos EUA, a THAAD (sigla em inglês para Defesa de Área Terminal de Alta Altitude), que protege o perímetro de bases americanas no sul do país.

Esse sistema nunca foi testado em guerra, mas é considerado confiável. Ele não é um escudo completo de grandes áreas: protege uma região lançando foguetes contra ogivas na descendente -daí o seu nome.

Pode atingir entre 150 km e 200 km de altitude, e também consegue derrubar mísseis de curto alcance em voo.

Seul também possui o sistema de defesa Aegis instalado em três cruzadores de sua moderna Marinha.

Ele visa primariamente a fase de decolagem e o sobrevoo, e pode ser usado contra qualquer tipo de míssil. Sua vantagem é a mobilidade no teatro de guerra.

Nenhum desses sistemas, contudo, resolveria no caso de haver uma chuva de mísseis balísticos (Pyongyang tem entre 300 e 1.000) e na provável barragem de artilharia e foguetes que seria lançada no caso de um conflito na faixa entre a fronteira e Seul, separadas por 55 km.

O Japão, por sua vez, possui versões mais avançadas do Patriot (120 baterias) espalhadas pelo país. Também tem instalados seis sistemas Aegis em navios de guerra de sua frota: quatro destróieres e dois cruzadores.

Se não recebesse um ataque tão denso como a Coreia do Sul, poderia ter chances contra mísseis de médio alcance. Mas experimentaria dificuldades com um modelo mais veloz, como um de alcance intermediário, ajustado para distâncias menores.

ESTADOS UNIDOS

Já o território americano de Guam, no oceano Pacífico, conta com os três sistemas para se defender. Até pela distância maior da Coreia do Norte (3.400 km), as chances de sucesso são melhores.

No caso de Kim realmente ter um modelo intercontinental já operacional à mão, além do THAAD e do Aegis há um sistema dedicado a esse tipo de míssil baseado no Alasca e com algumas baterias na Califórnia.

Chamado GMD (sigla para Defesa de Meio Curso Baseada em Terra), ele alveja ogivas ainda no espaço. É considerado o principal sistema de defesa continental dos EUA.

Mas há um problema de confiabilidade. Funcionaram apenas 10 dos 18 testes do sistema de 1999 até agora.

Nenhum dos sistemas à disposição de EUA e aliados foi testado numa guerra de alta intensidade.

Para piorar, a defesa antimíssil é definida por especialistas por uma frase não muito animadora: “É como atingir uma bala com outra”.

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