Política

A DERROCADA DO GOLPE PARLAMENTAR por Sérgio Bezerra

sergio-bezerra A DERROCADA DO GOLPE PARLAMENTAR por Sérgio BezerraPara se ter uma ideia do vem acontecendo no Brasil, é salutar reproduzir este importante dialogo que a nossa briosa Justiça  entendeu não ter nada de relevante:

Romero Jucá: Conversei ontem com uns ministros do Supremo. Os caras dizem ‘ó, só tem condições de… sem ela [Dilma]. Enquanto ela estiver ali, a imprensa, os caras querem tirar ela, essa porra não vai parar nunca’…

Sérgio Machado: É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.

Romero Jucá: Com o Supremo, com tudo.

Pois bem, com a prisão do Lula, caracterizando de forma definitiva o lawfare (palavra inglesa que representa o uso indevido dos recursos jurídicos para fins de perseguição política), fecham-se as cortinas do espetáculo deprimente idealizado por Romero Jucá, cujo script foi seguido à risca pelos executores e que vem levando o Brasil à bancarrota política e jurídica.

Diga-se de passagem que esta tese encontra guarida na Europa, em vozes como a de José Sócrates, ex-primeiro ministro de Portugal, do líder francês Jean-Luc Mélenchon e de um grupo de parlamentares e acadêmicos ingleses (como Chris Williamson, membro do Parlamento; Jean Corston, da Câmara dos Lordes; Dr. Mehmet Ali Dikerdem, da Faculdade de Direito da Middlesex University; e Julia Buxton, professora de política comparada da Universidade da Europa Central, Budapeste). Como se percebe, nenhum deles recebe o Bolsa Família, nem se tem noticias que são apreciadores de uma iguaria chamada mortadela.

Pra não dizer que só falei da Europa, durante uma palestra realizada em julho do ano passado, o então procurador geral assistente da Divisão Criminal do Departamento de Justiça dos EUA (equivalente ao Ministério Público), Kenneth Blanco, falou em “relacionamento íntimo” entre procuradores dos EUA e do Brasil na Lava Jato. Além disso, Blanco revelou que a cooperação entre eles “não depende apenas de procedimentos oficiais”, ou seja, também existe colaboração informal entre os agentes públicos dos dois países, procedimento que viola a legislação brasileira. O fato é que, diferentemente do que acontece no resto do mundo, parte do pré-sal os EUA já levaram dos brasileiros – e sem dar um único tiro.

De outra monta, não se deve perder de vista que, para dar algum ar de imparcialidade à operação, vão tentar entregar a cabeça de algum golpista. Aposta-se em Michel Temer e em Aécio Neves. Alckmin, que tem as costas largas, já foi jogado para a Justiça Eleitoral.

Não creio que seja o Temer. O “omi” tem a chave do cofre e já demonstrou não sentir pudor em usá-la. Ademais, a queda de Temer, a esta altura do campeonato, só serviria para as viúvas da ditadura militar darem o ar de sua graça. Aécio Neves vai ser o Robespierre do golpe parlamentar tupiniquim. Podem esperar.

Todavia, o show tem que continuar e o circo mambembe abrirá seu palco para as eleições do corrente ano com uma novidade: pela primeira vez na Nova República a extrema direita e os neofascistas brasileiros terão um candidato à presidência para chamar de seu, e esse fato, por incrível que pareça, será bom para democracia. Neofascista enrustido é um perigo, é salutar que saia do armário.

Por outro lado, artífices do golpe parlamentar caíram em desgraça. Nos outrora fortes presidenciáveis José Serra e Aécio Neves, não se encosta nem para tirar foto. É cediço que antes tentaram emplacar a candidatura de Luciano Huck, mas parecem ter desanimado diante da extraordinária ausência de conteúdo.

Parece-me que, nesse grupo, a bola da vez voltou a ser o “Santo” Geraldo Alckmin, que, com a paciência talhada no Opus Dei da Igreja Católica, soube tirar da linha o apressadinho João Dória e se apresenta para ser o Temer II ou o FHC III.

O problema é que Michel Temer, usando do mesmo artifício usado por FHC quando este “bateu a carteira” do plano Real do então presidente Itamar Franco, se apropriou e executa o programa de governo do PSDB. Anote-se que os governos Temer e FHC se assemelham até no apagão, e o presidente anda dizendo que o candidato do Temer II é Michel mesmo.

No meu modesto sentir, o fato que vai empacar as pretensões de Alckmin virá exatamente do PSB de Márcio França – candidato à reeleição em São Paulo, seu maior reduto eleitoral – contra o apressadinho João Doria, do seu próprio partido. O Geraldo não vai poder servir a dois senhores.

Para piorar, a cara de gerente de banco e o ar de moralidade, características de Alckmin nas campanhas, vão ser abafadas se o ex-ministro do Supremo Joaquim Barbosa for alçado candidato pelo PSB, sem perder de vista que o candidato do Podemos, o também golpista Álvaro Dias, tende a destruir a candidatura do “Santo” no Sul do país.

Pelo andar da carruagem, se os seus soldados conseguirem que ele fale menos e se a grande mídia não fizer o que fizeram com Marina Silva nas últimas eleições presidenciais, o candidato da extrema direita, o capitão da reserva e deputado federal Jair Bolsonaro, vai ficar em segundo. O que seria a desmoralização total do golpe.

Aguardemos.

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