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Ameaça de expulsão do PP tira 4 votos do governo; Maranhão diz que 14 deixam sigla

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A decisão do PP de fechar o voto da bancada a favor do impeachment, sob ameaça de expulsão em caso de desobediência, tirou ao menos quatro votos do governo de Dilma Rousseff.

Mário Negromonte Jr (BA) e Nelson Meurer (PR), que eram contra a abertura do processo, se tornaram, respectivamente, indeciso e a favor. Já André Abdon (AP) e Toninho Pinheiro (MG), que antes não queriam se manifestar, passaram a ser favoráveis ao impeachment.

“O partido fechou questão para que todos os deputados votem de acordo com a indicação. Tenho que fortalecer o partido, porque sou um cara partidário. Não tive outra opção”, explicou à Folha o deputado Meurer.

Segundo a assessoria do deputado Waldir Maranhão (PP-MA), vice-presidente da Câmara, 14 deputados federais deixarão a sigla “em solidariedade contra a intervenção no diretório do PP do Maranhão”. Até as 17h deste sábado (16), os nomes não haviam sido informados.

O senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional da legenda, protocolou pedido para que Maranhão seja destituído da presidência do diretório estadual do Estado. Caso isso aconteça, ele será substituído por André Fufuca (MA), que votará a favor do impeachment.

Por meio de sua assessoria, ele afirmou ser “mentira” a informação da desfiliação de 14 deputados da sigla. Segundo ele, a dissidência era de 11 deputados, número que já teria sido reduzida para 8.

Maranhão também pode ser retirado da vice-presidência da Câmara e expulso do partido.

Na sexta-feira (15), foi divulgado um vídeo em que o deputado Waldir Maranhão (MA) muda de lado e se coloca contra o impeachment. Segundo a assessoria, o parlamentar decidiu se contrapor a José Sarney, outra liderança no estado do Maranhão.

“Com o [Michel] Temer se tornando presidente, certamente Sarney colocaria de volta a Roseana [Sarney], [Edison] Lobão de novo como ministro. Esse quadro é muito ruim para o Estado”, apontou a assessoria.

Maranhão garante que conseguirá 12 votos dentro do partido contra o impeachment. Em entrevista à Folha, na sexta, o deputado Júlio Lopes (PP-RJ) questionou a contagem. “Não vejo como ele possa ter mais do que quatro votos. Ele não tem 12 votos de jeito nenhum”, afirmou.

A assessoria de Maranhão informou que a lista de deputados contrários não será divulgada para “evitar o assédio de Temer”.

Também na sexta, Mário Negromonte Jr confirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que votaria contra a abertura do impeachment. Neste sábado, contudo, a posição que tomará no domingo voltou a ser indefinida.

Segundo a assessoria, “todo o eleitorado” de Negromonte é contra a saída da presidente, mas, com a imposição do partido, ele decidiu repensar a decisão. Um dos motivos para isso, indica, é o longo período que o político está na legenda, o que torna a situação “muito delicada”.

A FAVOR DO GOVERNO

Na contramão da orientação do PP, os deputados Beto Salame (PA), Macedo (CE), Roberto Britto (BA) também mantiveram a posição contra o impeachment.

Em sua página no Facebook, o deputado Beto Salame divulgou texto na noite de ontem, sem fazer menção à decisão do partido, em que afirma que “não seria digno neste momento virar as costas para a presidente, para juntar-me a um momentâneo sentimento de maioria”.

Em nota, o deputado Macedo defendeu que “é preciso respeitar o processo democrático e a vontade de milhares de brasileiros que escolheram a atual presidente para governar o país”.

A Folha não conseguiu localizar o deputado Roberto Britto neste sábado para comentar sua posição.

Na lista dos indecisos, além de Mario Negromonte Jr., há ainda outros três deputados do PP: Cacá Leão (BA), Eduardo da Fonte (PE) e Ronaldo Carletto (BA). O deputado Adail Carneiro (CE) não foi localizado pela Folha.

A bancada do PP na Câmara é formada por 45 deputados. Destes, 36, que representam 80% dos parlamentares do partido, afirmaram que vão votar a favor do impeachment em levantamento realizado para o jornal desde segunda-feira.

UOL

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