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Canal da transposição do Rio São Francisco em Monteiro está sem receber águas há quase 5 meses-

canal-transposicao-monteiro-693x390 Canal da transposição do Rio São Francisco em Monteiro está sem receber águas há quase 5 meses-
O canal da transposição das águas do Rio São Francisco da cidade de Monteiro, no Cariri da Paraíba, está sem receber águas há quase cinco meses. De acordo com o presidente da Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa), Porfírio Loureiro, desde o dia 22 de fevereiro deste ano o bombeamento foi suspenso devido a um problema na barragem de Cacimba Nova, em Pernambuco.
Conforme a Aesa, a barragem teve uma sobrecarga acima do permitido no projeto. Por isso, o Ministério do Desenvolvimento Regional teria parado o bombeamento para o canal de Monteiro. O G1 tentou contato com o Ministério, mas, até as 15h40 desta quarta-feira (17), não houve resposta.
Alguns moradores contaram que o abastecimento ainda acontece por meio de carros-pipa, de vinte em vinte dias. Outras pessoas só recebem água em casa duas vezes na semana. De acordo com o presidente da Aesa, o bombeamento só deve ser retomado daqui a dois meses.
Monteiro foi a primeira cidade paraibana a receber as águas da transposição em março de 2017. Mais de dois anos depois, ainda é possível ver a presença de carros vendendo água pelas ruas.
Em 8 de março de 2017, a água da transposição do Rio São Francisco chegou a Monteiro. A água passou no último segmento de canal da transposição para entrar no túnel, por volta das 18h20, já na zona rural de Monteiro, próximo à divisa com Pernambuco.

Já no dia 14 de março de 2018, o então Ministério da Integração confirmou a necessidade de suspensão temporária da transposição do Eixo Leste do Rio São Francisco para a Paraíba, até que as obras programadas para os açudes de Poções e Camalaú fossem concluídas, prazo máximo de quatro meses, segundo nota do governo.

Atualmente, o canal da transposição em Monteiro acumula apenas água das chuvas e apresenta rachaduras em vários pontos, além de lodo e blocos de areia. No total, 35 cidades paraibanas dependem da água das transposição. Entre elas está Campina Grande, a segunda maior do estado.
“Com relação ao abastecimento da cidade, a gente tranquiliza a população. Nós temos 103,5 milhões de m³ que dá para atender todos em torno do açude, inclusive fazendo recarga em torno do açude Acauã. O problema maior são os ribeirinhos, eles são os mais prejudicados”, explica o presidente da Aesa.
Sobre os problemas na estrutura, o Ministério de Desenvolvimento Regional disse que o Eixo Leste do Projeto de Integração do Rio São Francisco está em pré-operação, etapa em que pode surgir a necessidade de serviços de manutenção e reparos nos canais e estruturas. “Existe, no momento, um Consórcio Operador responsável pela pré-operação, manutenção, gestão ambiental, conservação e vigilância patrimonial das instalações de construção civil, dos equipamentos e dos sistemas elétricos, mecânicos e hidromecânicos do Projeto”, disse em nota.

Entre as atribuições do Consórcio estão exatamente a realização de serviços de manutenção nos canais, que incluem a remoção constante de vegetação que cresce diariamente no entorno das estruturas e a realização de reparos em placas de concreto. Em decorrência das altas temperaturas da região durante o dia e constante exposição ao sol, além de baixas temperaturas à noite, é esperado que possam surgir fissuras em placas.
Sobre o bombeamento, o Ministério informou que na fase de pré-operação é possível que ocorram interrupções do bombeamento em algum trecho para a realização de serviços de manutenção em estruturas.
“Vale ressaltar que o segundo maior reservatório do estado da Paraíba, o Boqueirão, tem disponibilidade hídrica para assegurar o atendimento de cidades abastecidas pelo Projeto São Francisco. Portanto, interrupções temporárias no bombeamento não afetaram a chegada da água à população na região de Campina Grande, por exemplo, que é atendida pelo sistema desde março de 2017. Neste período, mesmo em fase de pré-operação, o Projeto tem beneficiado mais de um milhão de habitantes em 38 cidades da Paraíba e de Pernambuco, sem custos aos governo.

G1

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