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Feira de troca em Monteiro: velhos tempos, belos dias por Paulo Neto

12341196_746526518785570_1864433186841501051_n-300x300 Feira de troca em Monteiro: velhos tempos, belos dias por Paulo NetoTodos os sábados ocorre, aqui em Monteiro, a feira da cidade. Na maioria dos interiores tem um dia da semana específico para haver a feira, que une e reúne agricultores, pecuaristas e o comércio em geral. É o dia do homem e da mulher do campo virem à cidade para fazer a feira da semana e ao entardecer retornarem para a tranquilidade e o silêncio da zona rural. E hoje, como todos podem ver, é sábado! Está ocorrendo a feira, mas não como nos sábados de 16, 17 anos atrás, pois tinha uma feira mais do que especial aqui, que era a feira de troca. Ela ainda existe, mas não como antigamente. Eu acordava logo cedo para ir nessa feira. Quem tivesse algo para negociar era só ir ao lado do chafariz de frente para a Rádio Santa Maria que, certamente, faria um bom negócio (ou não). Lá tinha de tudo: bicicleta, catraca de bicicleta, corrente, pneu (novo e usado), câmara de ar (nova e remendada), bagageiro, corda, corrente, rádio, televisão, antena parabólica, controle de televisão, gravador, fita k7, vídeo cassete, relógios Orient sobre um saco estendido no chão, moto, bateria velha, pneu de moto velho, cano de escape (novo e estourado), gente vendendo rifa, passando jogo do bicho, gaiola, passarinho, alçapão, viajante (uma espécie de alçapão todo fechado para o transporte das aves)…e por aí vai. Minha intenção nessa feira era justamente os pássaros. A variedade era enorme: azulão, galo de campina, maria-fita, papa-capim, canário do campo, golinha, caboclinho, bigode, concris, sabiá, craúna. O que eu mais comprava era o golinha, que custava R$ 0,50 centavos. Se fosse cantador custaria R$ 1,00 ou 2,00. O problema era que o vendedor levava uma gaiola enorme com uns 20 passarinhos dentro, apontava e dizia: “O cantador é aquele”, e era mesmo esse que eu mandava ele pegar. Hoje sei que era enganado, porque não tem como saber qual é o mais cantador no meio de 20 pássaros todos iguais espremidos numa gaiola. Eu saía mais alegre do que qualquer outra pessoa no mundo. Passava na farmácia do meu avô e mostrava a ele e a meu pai a nova aquisição. Minha mãe reclamava um pouco por causa da quantidade, mas sempre ajudava a cuidar. Lá ia eu pra casa colocá-lo numa gaiola nova e bonita e depois voltava pra feira de troca pra vê se não aparecia outro pássaro que cantasse mais do que o meu. Se aparecesse e o dinheiro desse, comprava também. Ia, mas não trazia nada de novidade. A nova ida era só para tomar um caldo de cana no mercado público. Tomava um copão com uma banda de limão espremido e voltava parecendo que tinha feito a melhor coisa que uma criança poderia fazer. E, de fato, era. Hoje a feira de troca está lá, mas sem os pássaros e sem toda aquela zuada de antes. Até o local foi alterado. Os tempos mudaram, é verdade. A cidade já tem outra cara e outros contornos. A geração que veio depois da minha dificilmente irá explorar as peculiaridades da cidade, seus recantos, principalmente o ir e vir,o frenesi do dia de feira aos sábados. Resta-nos apenas a lembrança desses velhos tempos, belos dias.

PS.: Com mais um golinha em casa, a missão agora era fazer o danado cantar. Me diziam que pra um passarinho cantar tinha que ter um rádio perto pra ele aprender. Todos os dias, assim que acordava, eu gritava do quarto: “Ciiiidaa, aumenta esse rádio pra vê se esse infeliz canta”. Se ajudava ou não, eu não sei. Mas que meus passarinhos cantavam bem, cantavam. Ô tempo bom!

Por Paulo Neto

O Pipoco

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