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Leto Viana comandava organização criminosa na Prefeitura e Câmara

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O prefeito de Cabedelo, Leto Viana, comandava a organização criminosa instalada na Prefeitura e na Câmara para desviar recursos públicos. As informações foram repassadas pelo Ministério Público da Paraíba, durante coletiva de imprensa na sede da Polícia Federal, na manhã desta terça-feira (03).

O gestor foi preso na manhã de hoje, na primeira fase da operação ‘Xeque-Mate’, assim como cinco vereadores, entre eles o presidente da Câmara Municipal. A operação foi iniciada com base em deleção premiada do ex-presidente da Câmara, Lucas Santino, homologada pela Justiça há um ano. Ele enunciou a instalação de uma organização criminosa na Prefeitura e Câmara

O Grupo de de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) explicou que a organização tinha uma cabine de controle bem clara. “O chefe do Executivo emanava as ordens e os demais membros seguiam aquelas ordens. Existia um hierarquia, em que pese existir um aspecto celular um pouco anárquico porque cada vereador tinha seus interesses particulares e financeiros. O controle disso caia sobre a figura do chefe do Poder Executivo”, disse o promotor Octávio Paulo Neto.

As investigações mostraram que o prefeito utilizava “cartas renúncia” para garantir o apoio dos vereadores. O esquema funcionava da seguinte forma: os vereadores eram obrigados pelo prefeito a assinar cartas de renúncia, caso não cumprissem com o acordo, o gestor ameaçava protocolar as cartas. Algumas delas foram encontradas durante buscas e apreensões nesta terça.

Durante a operação os policiais flagraram “situações explícitas” de lavagem de dinheiro, a exemplo de uma frota de veículos em nome de “laranjas”. A organização criminosa também seria responsável por uma tentativa de homicídio praticada contra o vereador José Eudes, opositor ao prefeito. O delator afirmou ter presenciado a tentativa de homicídio contra o parlamentar.

O MP ainda anunciou que novas fases da operação ‘Xeque-Mate’ serão deflagradas. Conforme o procurador-geral de Justiça, Francisco Seráphico, as investigações irão se concentrar em fraudes em licitações na Prefeitura de Cabedelo e em uma possível compra do mandato de Leto Viana, em 2013.

A suspeita é de que Viana tenha pago o valor de R$ 5 milhões para que o então prefeito, Luceninha, renunciasse ao cargo e ele assumisse o comando do Executivo municipal. O MP investiga a possibilidade do empresário Roberto Santiago ter colaborado para compra do mandato do prefeito eleito Luceninha.

Durante a operação buscas foram feitas nesse sentido na casa e no escritório do empresário, que é proprietário dos shoppings Manaíra e Mangabeira. O ex-prefeito também será investigado em inquéritos que serão instaurados posteriormente.

A primeira fase se concentrou em contratação de servidores fantasmas, doação de  bens públicos e ocultação patrimonial de alguns agentes políticos.

“Existem, alguns outros fatos que possivelmente derivarão novos inquéritos a partir dessa colaboração e das provas que serão coletadas pela Polícia Federal. Fatos que passam por fraude em licitações até uma possível compra do mandato do ex-gestor no ano de 2013. São fatos que serão apurados”, disse Seráphico.

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