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Na reta final, Obama se desdobra para atuar como cabo eleitoral de Hillary

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Um bocado mudou de 2008, ano em que Barack Obama derrotou Hillary Clinton nas prévias democratas, para 2016, quando o presidente virou um dos cabos eleitorais mais poderosos de sua ex-secretária de Estado.

Se antes ironizava a “suficientemente simpática” rival, Obama agora faz tour para eleger Hillary, “mais qualificada do que eu e [o ex-presidente] Bill Clinton jamais fomos”. Só nesta segunda (7), véspera da eleição, o presidente estará em três Estados: dois comícios solo, em New Hampshire e Michigan, e outro na Pensilvânia, ao lado da primeira-dama Michelle e dos três Clinton (Hillary, Bill e a filha Chelsea).

O papel sem precedentes na história moderna dos EUA rendeu a Obama o apelido “campaigner-in-chief”, trocadilho com militante de campanha e comandante-em-chefe.

Além do comício com os Obamas, Hillary também passa hoje por Michigan e encerra a campanha com um evento na Carolina do Norte.

Já o republicano Donald Trump faz uma maratona de campanha em cinco Estados nesta segunda (7), passando pela Flórida, Carolina do Norte, Pensilvânia, New Hampshire e Michigan – no domingo, ele também havia feito cinco eventos em Estados diferentes.

PRESIDENTE EM CAMPANHA

A lei eleitoral americana não proíbe a atuação política de Obama. “Um presidente não bate ponto, então ele está livre [para participar de atos], se quiser”, diz à Folha Leonard Steinhorn, da American University.

“Mais importante: se ele faz campanha, é seu partido, e não os contribuintes, que paga por isso.”

E a fatura é alta. Só para voar no Air Force One, o avião presidencial, são US$ 206.337 por hora, “incluindo produtos consumíveis no voo”, segundo carta do Departamento de Força Aérea enviada via Lei de Acesso à Informação ao grupo conservador Judicial Watch.

Em julho, Hillary pegou uma carona na aeronave, e seu adversário republicano, Donald Trump, tuitou no mesmo dia: “Contribuintes estão pagando uma fortuna pelo uso do Air Force One. Desgraça total!”.

QUESTIONAMENTOS

Ainda que, apesar do que Trump diz, o partido pague o deslocamento, a linha ética é tênue. Obama, por exemplo, já fez comícios à tarde, em dias úteis.

Em junho, o republicano criticou o giro presidencial. “Temos um presidente que não sabe o que diabos faz, amigos. Ouvi dizer que ele vai ficar um tempo fora [da Casa Branca], quando deveria estar cuidando de acordos comerciais, do nosso Exército.”

Com aprovação de 54%, “Obama é um ativo eleitoral excelente”, diz David Lublin, do Centro de Estudos do Congresso e da Presidência.

A de George W. Bush, a essa altura de seu segundo mandato, era de 29%, na média de pesquisas da Gallup –não à toa, ele mal deu as caras na campanha do republicano John McCain, que tentou sucedê-lo, em 2008. Popularidade em baixa não é o único motivo para explicar por que presidentes não se empenharam tanto em pleitos prévios.

Em 2000, Al Gore se afastou do homem a quem serviu como vice por oito anos. Os escândalos sexuais de Bill Clinton poderiam ser usados contra ele, calculou –e esnobou um presidente com 63% de aprovação. Perdeu.

Em 1988, Ronald Reagan apoiou seu número dois, George Bush pai, sem entusiasmo. “O discurso teve um só parágrafo, e o sr. Reagan ainda pronunciou errado o nome de seu vice”, noticiou à época o jornal “The New York Times”.

Obama diz que eleger Hillary é garantia de que seu legado não será desconstruído por Trump. A rixa é também pessoal. Em maio, em jantar com correspondentes políticos, o presidente pegou no pé do ex-dono do Miss Universo, que alimentou a teoria de que ele não nasceu nos EUA.

“Dizem que Trump não tem experiência com política externa. Para ser justo, ele passou anos se encontrando com líderes mundiais. Miss Suíça, Miss Argentina…”

O Pipoco

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