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NÃO BULA COMIGO, NHONHÔ por Sérgio Bezerra

SERGIO NÃO BULA COMIGO, NHONHÔ por Sérgio BezerraSérgio Bezerra

Joaquim Maria Machado de Assis foi um jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo brasileiro, nascido no Rio de Janeiro-RJ, em 21 de junho de 1839. Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras (ABL), da qual foi o primeiro presidente unânime. Posteriormente, a ABL passou a ser chamada também de Casa de Machado de Assis.

Em 1883, Machado de Assis publicou o conto “Um homem célebre”, no periódico A Estação. Três anos depois, esse conto foi um dos 16 que compuseram a obra “Várias Histórias”, e aborda o tema da incompatibilidade entre os ideais e a realidade. Nesse conto, o autor narra a história de Pestana, um compositor de sucesso conhecido pelas músicas dançantes e de ritmos ligeiros que criava, cujo estilo é chamado de polca (devido à origem polonesa).

Contudo, embora o sucesso tenha lhe trazido riqueza e reconhecimento público, no seu interior, Pestana vivia a frustração de não conseguir compor músicas no estilo dos grandes artistas clássicos, do nível de Mozart, Chopin, Beethoven, Bach e Schumman.

Assim, durante os momentos de composição, enquanto se preparava mentalmente para criar uma composição semelhante à “Sinfonia Número 9 em Dó Maior”, de Mozart, por mais que se concentrasse, eram as polcas, sempre as saltitantes polcas, que lhes vinham à cabeça.

Imerso nesse drama interior, Pestana compôs “Candongas não fazem festa” e “Não bula comigo, Nhonhô”, seu maior sucesso. Mas nada de ele se sentir feliz. Apesar da aclamação popular, a incapacidade de fazer algo maior o destruía por dentro.

Pois bem, agora saímos dos livros e voltamos a 2018.

Para não dizer que não falei de política, e devidamente excluindo o noves fora, vejo muitas semelhanças entre Pestana e o presidente eleito Jair Bolsonaro. Ambos angariaram apoio popular com seus talentos próprios, mas nunca se deram por satisfeitos. No caso do personagem de carne e osso, mesmo após a sua maior vitória, sua carranca e sua fala demonstram que alguma nota está fora do compasso. Algo o aflige. Notadamente, quando se reporta à política externa, parece que Bolsonaro almeja ser um Donald Trump… O danado é que, nesse campo, Trump possui cacife para falar as besteiras que quiser… Enquanto o nosso Jair convenhamos.

De logo, esclareço que formei fileira do lado oposto ao dele. A meu sentir, dentre as opções para presidente oferecidas pelo cardápio dos partidos e as coligações políticas na última eleição, tanto no primeiro quanto no segundo turno, eu enxerguei opções melhores e mais condizentes com o que penso. Pois também acredito que “Candongas não fazem festa”.

Porém, apesar de reconhecer que os devotos do presidente eleito, em caso de derrota, já estavam prontos para incendiar o Brasil, levantando dúvidas sobre a lisura das urnas eletrônicas, eu não posso me dar ao desfrute de torcer para que tudo dê errado. Creio que não devemos cair na esparrela de copiar os ensinamentos de Aécio Neves, cujo inconformismo levou o Brasil à atual bancarrota.

É preciso torcer fervorosamente, feito torcedor do Flamengo, para que o nosso Pestana supere suas angústias interiores e, pelo menos em pensamento, consiga ser um Mozart, um Beethoven ou um Donald do Atlântico Sul. Pode até não dar certo, mas, talvez, quem sabe não nos livramos daquela sua cara de “Não bula comigo, Nhonhô”.

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