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Por trás dos socos entre Mayweather e McGregor está muito dinheiro

Por-trás-dos-socos-entre-Mayweather-e-McGregor-está-muito-dinheiro-300x212 Por trás dos socos entre Mayweather e McGregor está muito dinheiro

Nenhum esporte paga seus atletas como o boxe. Jack Dempsey, por exemplo, campeão dos pesos pesados entre 1919 e 1926, faturou US$ 3,5 milhões em sua carreira.

A quantia era inimaginável à época. Em valores atualizados, seria o equivalente a US$ 478,6 milhões. De lá para cá mudaram os números, mas não a exorbitância das bolsas dos lutadores.

A possibilidade de ganhar uma fortuna em no máximo 36 minutos (12 rounds) foi o que fez o irlandês Conor McGregor, 29, astro do MMA, aceitar o desafio de enfrentar o americano Floyd Mayweather, 40, maior nome do boxe na última década.

Os dois se enfrentam neste sábado (26), em Las Vegas, com transmissão do canal Combate, a partir das 22h.

A migração para o boxe pode colocar McGregor, entre os atletas mais bem pagos do ano. A publicação Boxing Scene estima que só por essa luta o irlandês pode receber uma premiação de US$ 75 milhões (R$ 235 milhões), cerca de oito vezes mais do que os US$ 9,4 milhões (R$ 29,6 milhões) que ele recebeu em nove anos (24 lutas) no MMA.

Lutadores que mais ganharam dinheiro no MMA – Em US$ milhões

Já a bolsa de Mayweather é estimada em US$ 100 milhões (R$ 315 milhões). As estimativas não são oficiais e algumas publicações chegam a calcular valores até quatro vezes maiores que esses.

Não por acaso, o duelo recebeu o apelido de “Money Fight” (Luta do Dinheiro).

A diferença no valor das bolsas entre boxeadores e praticantes do MMA pode ser explicada pelo tamanho do negócio que as duas modalidades representam.

O boxe tem 125 anos de profissionalismo e muita credibilidade com grandes empresas, que patrocinam o esporte. Os contratos de televisão, tanto na mídia especializada quanto na tradicional, são longos e milionários, com abrangência global.

Já o UFC, principal organização de MMA do mundo, tem apenas duas décadas de existência. Além disso, a modalidade sofre há muitos anos críticas por ser violenta, discriminação que o boxe já superou nos EUA. Em Nova York, um dos maiores mercados esportivos americanos, por exemplo, a realização de lutas de MMA só passou a ser permitida no ano passado.

Outro ponto é a diversidade de canais de televisão que transmitem as lutas. Hoje é possível ver boxe todos os dias na TV americana.

Boxeadores que ganharam mais dinheiro – Em US$ milhões

A tendência de premiações milionárias não é recente. Sugar Ray Leonard pendurou as luvas há duas décadas e vive dos US$ 120 milhões (R$ 377 milhões) conquistados em as trocas de golpes nos ringues. Muhammad Ali, que lutou até 1981, somou US$ 50 milhões (R$ 157 milhões) na carreira.

McGregor percebeu que o “negócio” com Mayweather seria garantia de sucesso e que poderia superar com grande facilidade os US$ 25 milhões (R$ 78,6 milhões) obtidos pelo canadense Georges Saint-Pierre em sua carreira no MMA, o mais bem pago atleta da modalidade.

VENDAS

O único problema enfrentado pelo evento até agora foram os valores cobrados para assistir à luta. Os últimos bilhetes, com preço entre US$ 500 (R$ 1.573) e US$ 10 mil (R$ 31,5 mil), eram vendidos até esta semana na internet e em bilheterias em Las Vegas.

A venda dos direitos de transmissão teve negociações diferentes em cada país.

No Brasil, quem quiser ver a luta terá que assinar o canal Combate. A mensalidade custa entre R$ 80 e R$ 75, dependendo do provedor de TV por assinatura. A luta avulsa no sistema pay-per-view sai por R$ 90. A Globosat espera vender 15 mil assinaturas.

Os organizadores pediram US$ 1 milhão para a TV Globo transmitir a luta. Para o canal fechado do grupo, o SporTV, foi pedido US$ 400 mil. A empresa não concordou com os valores e não houve acerto.

Nos EUA, onde a venda do pay-per-view será maior, a assinatura custa entre US$ 90 (R$ 283) e US$ 100 (R$ 315).

Steve Marcus/Reuters
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Floyd Mayweather e Conor McGregor após pesagem para luta

ZEBRA

Sem nunca ter feito uma luta profissional de boxe, McGregor terá de surpreender Mayweather, que não perde um combate desde a semifinal olímpica em Atlanta-1996.

“A única chance de McGregor é criar uma atmosfera diferente. Tirar a concentração de Mayweather. Causar um caos no ringue”, disse Evander Holyfield, cinco vezes campeão mundial dos pesados.

Mayweather é um mestre em frustrar os adversários, mas diz não gostar de estudar os rivais. Por isso, muitas vezes foi dominado no início das lutas. Com o passar dos rounds, sua capacidade de se moldar ao adversário o levou a superar obstáculos difíceis, como diante dos novatos Marcos Maidana e Saul Canelo Alvarez ou com os veteranos Juan Manuel Marquez e Shane Mosley.

McGregor é maior, possui mais envergadura, é 11 anos mais jovem e sua carreira está em atividade -seu rival estava aposentado desde 2015. Análises de especialistas apontam que sua chance de vitória está em partir para cima de Mayweather desde o primeiro soar do gongo.

O plano de luta é não deixar que Mayweather “domine” o ringue. A troca de golpes tem de ser intensa e constante, mas é preciso total concentração para fugir dos contra-golpes. Desta forma, os últimos rounds poderão virar uma loteria.

Guardadas as devidas proporções, McGregor precisa fazer algo como fez Muhammad Ali diante de George Foreman, em 1974; ou como apresentou Sugar Ray Leonard frente a Marvin Hagler, em 1987; ou o que realizou James Buster Douglas ao nocautear Mike Tyson, em 1990.

O certo é que se Mayweather estivesse em forma, McGregor seria “massacrado”, “aniquilado”, “destruído” como chegaram a colocar em suas manchetes alguns jornais dos EUA e do Reino Unido.

“McGregor vai ser assassinado no ringue”, exagera Mike Tyson, o mais novo campeão da história dos pesos pesados.

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NA TV
Mayweather x McGregor
22h Pay-per-view

FOLHA

O Pipoco

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