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Após críticas de Trump, Irã declara que vai fortalecer capacidade militar

O presidente iraniano, Hassan Rowhani, declarou nesta sexta-feira (22) em discurso durante uma parada militar em Teerã que o país irá “aumentar seu poder militar de dissuasão” e também suas “capacidades balísticas”.

“Nós não pediremos permissão a ninguém para defender o nosso país”, disse Rouhani.

Uma das armas em exibição na parada era um novo míssil balístico que, segundo declaração do chefe da divisão aeroespacial das Guardas Revolucionárias, Amirali Hajizadeh, à agência de notícias iraniana Tasnim, tem é capaz de carregar diversas ogivas nucleares e tem alcance de 2 mil quilômetros.

A declaração foi feita dias após o presidente americano Donald Trump criticar o acordo de armas nucleares feito com o Irã em seu primeiro discurso na Assembleia Geral da ONU, em um sinal de que pode decidir não respaldá-lo até o próximo dia 15.

O acordo, que tem 159 páginas, é resultado de mais de uma década de discussões diplomáticas voltadas a impedir o Irã de construir uma bomba nuclear, o que poderia desestabilizar o Oriente Médio.

O Irã apoia grupos militantes contrários a Israel, como o palestino Hamas e o libanês Hizbullah, além de seus líderes frequentemente fazerem menções à destruição de Israel.

Na terça-feira (19), o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, repetiu o tom duro de Trump e disse à Assembleia Geral que Israel “vai agir para prevenir que o Irã produza armas para usar contra nós e prevenir que abram novas frentes de terror contra Israel ao longo de nossa fronteira”.

“Aqueles que nos ameaçam com a aniquilação se põem em perigo mortal. Israel se defenderá com a força total de suas armas e o poder total de suas convicções” disse Netanyahu.

Teerã recorrentemente alega que seu programa nuclear é pacífico e que nunca procurou produzir uma bomba. As negociações estavam em um impasse até meados de 2013, quando Hassan Rowhani foi eleito presidente e declarou à época a disposição do país em chegar a um acordo.

O pacto final foi negociado pelos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França, China e Rússia e é considerado uma das conquistas do governo de Barack Obama.

Após o discurso de Trump, Rowhani,cancelou a reunião que teria com o presidente Michel Temer na quarta-feira (20) em paralelo à Assembleia Geral da ONU.

Segundo a missão iraniana nas Nações Unidas, “mudanças de última hora na agenda do presidente levaram ao cancelamento” de encontros.

Não está claro se o rearranjo na agenda de Rowhani teve ligação com a reunião, realizada no mesmo dia, de chanceleres dos países do P5+1 (EUA, China, Rússia, França, Reino Unido e Alemanha) e do Irã para discutir o futuro do acordo sobre o programa nuclear de Teerã.

Editoria de Arte/Editoria de arte

FOLHA

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