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Opção militar contra a Coreia do Norte é beco sem saída para Estados Unidos

Opção-militar-contra-a-Coreia-do-Norte-é-beco-sem-saída-para-Estados-Unidos-300x189 Opção militar contra a Coreia do Norte é beco sem saída para Estados UnidosO Conselho de Segurança da ONU se reunirá nesta segunda (4) para discutir novas sanções contra o regime de Kim Jong-un após o sexto teste nuclear do país, e os EUA voltaram a ameaçar usar força contra a ditadura.

A chance de a primeira opção ter algum efeito prático, dado o histórico de resiliência do regime comunista, parece exígua.

Ahn Young-joon/Associated Press
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Militares sul-coreanos fazem exercícios militares perto da zona desmilitarizada com a Coreia do Norte

Resta na mesa de EUA e aliados a opção de negociar diretamente com Kim, o que requer intervenção mais objetiva por parte de Pequim, que passou a proteger o regime após a dissolução da União Soviética em 1991.

Fora isso, há as alternativas militares, todas impossíveis de bancar.

O problema neste momento nem é a possibilidade de Pyongyang armar um míssil balístico intercontinental com uma bomba atômica.

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Apesar de todas as demonstrações recentes, é incerto que essa capacidade exista de fato. Por mais que os norte-coreanos tenham avançado, talvez com ajuda de antigo material soviético contrabandeado da Ucrânia, a guiagem e a proteção de uma ogiva nuclear requerem testes ainda não realizados.

Segundo estimativas disponíveis, contudo, o país já pode fazer isso com talvez 5 ou 10 de seus 300 mísseis de curto e médio alcance, ameaçando Coreia do Sul, Japão e Guam, ilha que sedia base estratégica americana.

A questão é a certeza de que, se for atacado, Kim irá usar seu poderio de artilharia concentrado na fronteira com o vizinho do sul —com quem a Coreia do Norte vive em cessar-fogo desde 1953, após os três anos de guerra.

São 21 mil peças de artilharia e lançadores múltiplos de foguetes, boa parte deles apontada em direção a Seul, a 55 km da fronteira.

Algumas delas, como lançadores de 300 mm, podem atingir a capital, onde moram 10 milhões de pessoas. Considerando áreas adjacentes, está concentrada por lá quase metade dos 50 milhões de habitantes do país.

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Como seria o ataque liderado pelos EUA? Isso vai depender do que o secretário Jim Mattis (Defesa) considera “maciço”, como disse.

Um cenário moderado, sem o hoje teoricamente impossível emprego de armas nucleares em primeiro golpe, é buscar destruir a defesa antiaérea norte-coreana e as principais instalações do programa nuclear e de mísseis.

Isso pode ser feito com mísseis de cruzeiro Tomahawk instalados em navios norte-americanos na região, como os destróieres da classe Arleigh Burke —dois dos quais estão fora de combate após terem batido em embarcações civis recentemente.

Há a opção do uso de aviões também. Guam é base de bombardeiros estratégicos B-1B Lancer. Eles seriam apoiados por caças coreanos F-15K, de fabricação americana, e talvez por modelos iguais e aeronaves F-35 dos EUA baseadas no Japão.

Como se vê, Pyongyang só não tem na China um regime hostil a si na vizinhança —fora os 47 mil americanos no Japão, 28,5 mil na Coreia do Sul e 5.100 na ilha de Guam.

A certeza da destruição de parte de Seul é o que impede o apoio do governo capitalista do sul a uma ação, e de certa forma a garantia para Kim manter sua agressividade.

Quando estudou atacar a Coreia do Norte em 1994, os EUA estimaram em 1 milhão de mortos na Coreia do Sul só pela ação de armas convencionais. Isso sem contar armas nucleares, então fora da equação, e a ampla gama de foguetes convencionais para atacar alvos americanos e aliados na região.

Eles podem ser detidos apenas parcialmente pelos sistemas antiaéreos de fabricação norte-americana na região —Patriot e THAAD em solo, e Aegis em navios.

Uma invasão total do norte, contudo, é ainda mais improvável.

O Exército norte-coreano, com 1,2 milhão de homens altamente motivados, seria derrotado pelas armas mais modernas e eficientes da coalizão EUA-Coreia do Sul-Japão, mas o custo humano parece proibitivo para ambos os lados.

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Editoria de Arte/Folhapress
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ENTENDA
O desafio norte-coreano

*O que o teste significa?
> Um teste bem sucedido mostraria que a Coreia do Norte sofisticou seu programa nuclear e que está mais perto de produzir uma ogiva adaptável a um míssil de longo alcance, capaz de atingir a parte continental dos EUA

> Os testes debaixo da terra, que provocaram tremores percebidos na Coreia do Sul e na China, foram os primeiros em que a Coreia do Norte ultrapassou o poder de destruição das bombas de Hiroshima e Nagasaki, da Segunda Guerra Mundial

> Se o país asiático for capaz de produzir uma bomba H, isso pode abrir caminho para ogivas muito mais destrutivas e compactas, o que resolverá o problema de seus estoques limitados de urânio enriquecido

O que esperar?
> Analistas vão estudar as ondas decorrentes dessa explosão. Eles também buscarão indícios de gases nucleares que podem estar se dissipando na atmosfera para poder avaliar se o teste foi mesmo com uma bomba de hidrogênio

O Pipoco

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